Associação Mato-grossense de Cronistas Esportivos acionará CBF por restrições na cobertura de competições

A Associação Mato-grossense de Cronistas Esportivos (Amace), entidade filiada à Associação Brasileira dos Cronistas Esportivos (Abrace), responsável pelo credenciamento dos profissionais de imprensa esportiva no Estado de Mato Grosso, pode acionar judicialmente a Confederação Brasileira de Futebol (CBF)

A entidade que representa a imprensa esportiva alega que ao divulgar o documento chamado de ‘Diretriz Técnica Operacional’, na semana passada, a CBF ‘impediu’ os profissionais de exercerem a profissão nas competições nacionais realizadas nos estádios brasileiros. “O documento da CBF é uma afronta. Está cerceando o direito de repórteres, narradores e comentaristas, ocuparem seus postos de trabalho nos estádios”, condena Orlando de Oliveira Antunes, presidente da associação estadual de Mato Grosso.

Na petição elaborada em um encontro ocorrido no último sábado, em Cuiabá e que deve ser protocolada no Rio de Janeiro, contra a CBF, a Amace alega que “as restrições não levaram em conta o pequeno número de emissoras de rádio locais que transmitem as competições, e que a Arena Pantanal possui o terceiro piso isolado, apenas para a imprensa esportiva, com cabines em separado’.

Segundo ainda o documento, “não há condições técnicas de operar os equipamentos de transmissão nas arquibancadas, onde não há se quer energia elétrica, internet ou cabeamentos”, diz a Amace.

A entidade se mostra contrária inclusive à exigência de manter os repórteres longe do campo de jogo. “A distância entre os repórteres, sempre posicionados atrás dos gols e os atletas em campo é superior a 10 metros, deste ponto os profissionais tem melhor visão para relatar as jogadas ao vivo. A exigência de manter os profissionais nas arquibancadas prejudica a qualidade técnica e operacional da transmissão”, pontua Antunes.

Não bastassem esses argumentos a Amace cita a crise financeira que se abateu sobre a categoria, gerando dezenas no estado e centenas de desempregados no País, devido a pandemia. “Não estamos brigando apenas pelos profissionais de Mato Grosso, mas por todos os colegas do País, para continuarmos informando com precisão e isenção os ouvintes/torcedores, respeitando as normas de biossegurança exigidas pelas autoridades sanitárias, como aferição de temperatura corporal na entrada dos estádios, uso de máscara facial e higienização com álcool gel,” disse o presidente.

Antunes lembrou que no estado do Paraná, ação movida pela Associação das Emissoras de Rádio e Televisão daquele estado e Sindicato das Empresas de Rádio e Televisão do Paraná, obteve êxito ao questionar ação semelhante. A Federação Paranaense de Futebol (FPF) havia liberado apenas os funcionários da Dazn, emissora que transmite as partidas via streaming para transmissão, vetando todos os demais profissionais.

Entre os argumentos, a juíza da 7ª Vara Cível de Cuiabá, afirmou que “impossibilitar que os profissionais acessem os estádios e realizem a transmissão sonora é, portanto, chancelar a exclusão social de uma massa composta por milhares de ouvintes, torcedores ou não” e ‘o rádio exerce um papel de inegável’.